Belchior foi um dos meus mentores

17:51 Blog do Adeildo Alves 0 Comentários



        * Maciel Melo 
Foi ouvindo essa canção, que aos 19 e 20 anos, me dei conta de que o medo é quem direciona a coragem. É ele quem evita que a coragem se jogue em precipícios. Medo de avião, creio que todos temos, uns mais, uns menos, outros quase nenhum. Nem todo mundo tem uma mão sobre o braço da poltrona pra segurar pela primeira vez. Já tive medo que a coragem me jogasse nos braços de alguém, que me deixasse angustiado como um goleiro na hora do gol. 
Alguém que entrasse em mim como um sol no quintal e saísse deixando uma tempestade. Belchior foi um dos meus mentores intelectuais, um mestre, um filósofo, um sábio cancioneiro menestrel, que vindo do interior, me dizia que os baianas diziam que tudo era divino, tudo era maravilhoso. Um cara que se apaixonou pela madame Frigidaire, transava a noite num Danubio azul e me convencia de que nossos ídolos já não eram mais os mesmos. 
Mas ele foi, é, e sempre será o meu eterno ídolo, e sua aparência nunca me enganou, sempre aparecia nas horas mais férteis de minhas inspirações. Viverá para sempre em minhas composições. Se você me perguntar por onde andei? Ora direis: ouvindo estrelas sem perder o senso, e lhes direi no entanto, que enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto. 
Pra ele hoje eu tenho um olhar lacrimoso, mas suas canções já me deixaram alegre como um rio, liberto como  um bando pardais, já me fizeram roer lembranças ébrias por paixões avassaladoras que me adormeciam sobre as garrafas e me acordavam com o chiado da agulha de uma vitrola sob uma caixa de fósforo em meio a galos, noites e quintais. Portanto hoje os meus sentimentos são para Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Mais precisamente ou simplesmente BELCHIOR.

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