Petrobras anuncia nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial, a segunda em poucos meses
Novo achado ocorreu em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas; Petrobras vai aprofundar as análises sobre o potencial da área
A Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo na Margem Equatorial brasileira. O achado ocorreu no poço Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas.
Esta é a segunda descoberta anunciada pela companhia na região em poucos meses. A primeira havia sido comunicada em agosto. O novo resultado aumenta as expectativas em torno do potencial petrolífero da chamada Margem Equatorial, considerada uma das principais novas fronteiras exploratórias do país.
Descoberta ocorreu em águas ultraprofundas
O poço 1-BRSA-1405-APS, conhecido como Morpho, está situado em uma área de águas ultraprofundas, com aproximadamente 2.886 metros de lâmina d’água.
Durante a continuidade da perfuração, equipes da Petrobras investigaram formações localizadas em níveis mais profundos. A presença de petróleo foi identificada a partir de diferentes informações obtidas durante a operação, incluindo perfis elétricos, indícios encontrados nas rochas e amostras de fluidos.
Segundo a Petrobras, o resultado contribui para ampliar o conhecimento sobre as características geológicas da região e poderá ajudar na avaliação dos sistemas petrolíferos e dos recursos existentes na Bacia da Foz do Amazonas.
Qualidade do petróleo ainda será analisada
A companhia já havia informado que o petróleo encontrado na primeira descoberta, em agosto, apresentava boa qualidade.
No novo achado, entretanto, o material coletado ainda passará por análises laboratoriais. Os estudos serão importantes para determinar com maior precisão as características do óleo e avaliar o potencial econômico das formações encontradas.
A perfuração do poço Morpho continua, permitindo que os técnicos obtenham novas informações sobre as estruturas identificadas.
Margem Equatorial é vista como nova fronteira petrolífera
A região conhecida como Margem Equatorial vem despertando grande interesse do setor de petróleo e gás. O potencial da área é frequentemente comparado ao do pré-sal, principalmente diante das descobertas expressivas realizadas nos últimos anos em países vizinhos, como Guiana e Suriname.
Para a Petrobras, a exploração de novas áreas faz parte de uma estratégia de longo prazo voltada à reposição das reservas nacionais de petróleo e gás e à manutenção da capacidade de produção do país.
A preocupação também está relacionada à perspectiva de redução gradual da produção do pré-sal no futuro, caso novas grandes reservas não sejam incorporadas.
Área passou por disputa e mudança de controle
A exploração do bloco FZA-M-59, na região da Foz do Amazonas, começou a ser estruturada ainda em 2013, quando a empresa britânica BP venceu a licitação da área.
Posteriormente, em 2021, a concessão foi transferida para a Petrobras, dentro de uma decisão estratégica da companhia.
Licenciamento ambiental gerou debate
A exploração da Margem Equatorial também é alvo de discussões ambientais. A Petrobras recebeu, em outubro de 2025, autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar a perfuração na região.
O processo provocou debates entre empresas do setor petrolífero, integrantes do governo e organizações ambientais. Enquanto a Petrobras defende a segurança das operações e o cumprimento das normas ambientais, entidades ambientalistas demonstram preocupação com possíveis impactos sobre os ecossistemas da região.
Apesar de o bloco estar localizado na chamada Foz do Amazonas, a Petrobras ressalta que o ponto de perfuração fica a cerca de 540 quilômetros da desembocadura do rio Amazonas.
Potencial pode chegar a 10 bilhões de barris
O tamanho das expectativas em torno da região pode ser dimensionado por estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo estudos citados pela empresa, o potencial recuperável total da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar aproximadamente 10 bilhões de barris de óleo equivalente, considerando petróleo e gás natural.
O número coloca a região entre as áreas consideradas estratégicas para o futuro energético brasileiro.
A Petrobras deverá continuar os trabalhos de avaliação no poço Morpho antes de determinar a dimensão e a viabilidade econômica dos recursos encontrados.
A nova descoberta representa mais um passo na exploração da Margem Equatorial e pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre uma das áreas mais promissoras da indústria de petróleo no Brasil.
Com informações da Agência Brasil.






