O ingresso do presidente Bolsonaro no Partido Liberal já serviu para abrir um clarão nas disputas estaduais

05:16 Blog do Adeildo Alves 0 Comentários



Anderson e Gilson medem forças

O ingresso do presidente Bolsonaro no Partido Liberal já serviu para abrir um clarão nas disputas estaduais. Na Bahia, a tendência é que o ministro da Cidadania, o pernambucano-baiano João Roma Neto, troque o Republicanos pelo PL para disputar a sucessão de Rui Costa (PT), enfrentando ACM Neto (DEM), pelas mãos de quem fez seu debu na politica baiana elegendo-se deputado federal.

No Ceará, o Capitão Wagner está deixando o Pros para se filiar ao PL e disputar o Governo do Estado com apoio de Bolsonaro. Líder dos trabalhadores em segurança pública do Ceará, ganhou fama depois de liderar um motim da Polícia Militar do Ceará em 2011, no qual gerou insegurança na população e trouxe caos para Fortaleza com uma quarentena forçada. Na ocasião, trocou insultos com o então governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes.

Foi, também, o vereador mais votado de Fortaleza em 2012 e o deputado estadual mais votado do Ceará em 2014. Candidato a prefeito de Fortaleza em 2016, levou a disputa para o segundo turno, mas perdeu para Roberto Cláudio. Em 2020, foi candidato, mais uma vez a prefeito, mas perdeu para José Sarto (PDT), candidato de Roberto Cláudio.

Em Pernambuco, Bolsonaro cogita em armar uma chapa com Anderson Ferreira, prefeito de Jaboatão, candidato a governador, mas com o candidato a senador previamente escolhido por ele: o ministro do Turismo, Gilson Machado. Filiado ao PL, Machado dividirá o controle do partido com Anderson, que perde assim as condições de mandante partidário com mão de ferro na legenda liberal no Estado.

Anderson terá que se entender, igualmente, com a deputada Clarissa Tércio, atualmente no PSC, bolsonarista de carteirinha. Ela vinha negociando sua transferência para o Podemos, onde já milita o marido Júnior Tércio, candidato a deputado federal, mas com a pré-candidatura de Sérgio Moro ao Planalto pelo partido mudou seus planos. Quer estar no palanque brigando pela reeleição do presidente da República.

Sendo assim, o caminho mais natural seria abrigar-se no PL, mas sua família é atritada com o grupo de Anderson. Se chegar a se filiar será por obra de Bolsonaro, mediante articulação de Gilson Machado. Gilson, Clarissa, Coronel Meira e o deputado Alberto Feitosa estão na linha de frente no Estado pela reeleição de Bolsonaro e é com esse grupo que Anderson terá que se entender, se quiser de fato ser candidato a governador.

Castelo de areia – Com a chegada de Gilson Machado Neto ao PL, o partido em Pernambuco fica, naturalmente, proibido de se coligar na majoritária com o PSDB, transformando num castelo de areia o projeto da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, em contar com os liberais como parceiros, mesmo numa aliança branca, para disputar o Governo do Estado. Ao invés do PSDB, o PL se abraçará em Pernambuco com o PTB, de Coronel Meira, e o PSC, do deputado federal André Ferreira.

Disputa o Senado – Tão logo chegou de Madri, onde participou da plenária anual da Organização Mundial do Trabalho (OMT), o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, teve uma conversa com Bolsonaro sobre o PL em Pernambuco. É o candidato natural do presidente da República para disputar o Senado na chapa de Anderson. Embora até então no PSC por uma acomodação partidária, Machado se filia no partido que Bolsonaro achar mais acertado. É aliado da mais absoluta confiança do presidente, leal feito cão de guarda.

PSDB já era – Do cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, ao traçar um cenário dos dias de funerais que vive o PSDB hoje. “O PSDB vive uma crise de identidade muito grande, não consegue se encontrar neste cenário nacional. Aconteceu a mesma coisa com o [antigo] PFL, com o MDB também. Esses três partidos, que eram âncoras da política brasileira durante muito tempo, foram devastados pelo bolsonarismo. Uma parte deles aderiu ao bolsonarismo, outra parte rompeu com Bolsonaro, mas eles não têm mais lugar. Essas forças de centro, centro-direita, centro-esquerda, de 2018 para cá foram perdendo muito espaço na política brasileira com a ascensão do bolsonarismo”.

Bolsonaro traidor – Ao ser questionado na entrevista que concedeu ao jornal Folha de São Paulo sobre a afirmação de Bolsonaro ser Moro “traidor”, o general da reserva Alberto Santos Cruz, filiado ao Podemos com a chegada de Moro na disputa presidencial, foi enfático: “O grande traidor deste país se chama Jair Messias Bolsonaro. Ele traiu todas as promessas de campanha. Traiu um país inteiro”. Como exemplo, declarou que o presidente dizia ser contra a reeleição, mas que governa “desde o 1º momento pela reeleição”.

Cena constrangedora – Sem saber que Raffiê Dellon (PSD), que disputou a Prefeitura de Caruaru na eleição passada, estava promovendo uma confra com jornalistas no café Alquimia da Fazenda, sábado passado, o deputado José Queiroz (PDT) marcou um encontro com um aliado no mesmo local e horário. Constrangido, depois de ser obrigado a recepcionar grande parte dos convidados da Imprensa local, o parlamentar, que milita no campo adversário de Raffiê, ficou de cara pálida, teve que fechar sua conta rapidinho e sair correndo para outro restaurante. Antes, porém, passou pelo constrangimento de posar ao lado do desafeto e de jornalistas também.

CURTAS

Protesto – Manifestantes protestaram, no último sábado, contra o presidente Jair Bolsonaro, na Praça da República. O ato, chamado "Bolsonaro Nunca Mais", foi convocado por mulheres de movimentos e coletivos feministas, centrais sindicais e partidos políticos e começou por volta das 14 horas. Protestos também foram registrados em São Paulo e Belo Horizonte.

Sem aulas – A Secretaria de Educação e Esportes suspendeu as aulas presenciais na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, em Casa Amarela, após a confirmação de três casos de Covid-19, em três salas diferentes. A suspensão começou sexta-feira passada e deve durar ao menos 10 dias, de acordo com o Governo.

Perguntar não ofende: Anderson vai aceitar dividir os poderes do PL com Gilson ou cai fora? 

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