Especialistas alertam como identificar as novas estratégias de golpistas contra segurados do INSS
A ligação chega em pleno horário comercial. Do outro lado da linha, alguém se apresenta com segurança, linguagem técnica e aparente familiaridade com regras da Previdência Social. A conversa costuma soar promissora: correção de benefício, valores retidos a receber ou reanálise de processos antigos. Para aposentados e pensionistas, o que aparenta ser uma oportunidade legítima frequentemente se transforma em um grave prejuízo financeiro.
O número de golpes direcionados a beneficiários do INSS tem crescido de forma significativa em todo o país. Paralelamente, as estratégias criminosas evoluíram. Se antes as fraudes eram feitas por correspondência ou contatos rudimentares, hoje envolvem engenharia social, uso de meios digitais e reprodução quase idêntica de plataformas oficiais, incluindo perfis falsos em aplicativos de mensagens e páginas eletrônicas que imitam portais governamentais.
A pressa como armadilha
Mais do que recursos tecnológicos, os golpistas se valem da pressão psicológica. “Criar um clima de urgência é uma tática recorrente. A vítima é induzida a agir rapidamente, sem tempo para checar a veracidade das informações”, explica o advogado Eddie Parish, especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Parish & Zenandro Advogados.
De acordo com o jurista, esse tipo de crime explora especialmente pessoas que dependem do benefício para custear despesas básicas. Promessas de liberação imediata de precatórios ou revisões vantajosas são condicionadas ao pagamento antecipado de taxas inexistentes do ponto de vista legal.
Diferentes formatos, o mesmo prejuízo
As fraudes se apresentam de diversas formas e se moldam ao perfil do segurado. Entre as práticas mais recorrentes observadas por profissionais da área jurídica, destacam-se:
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Revisão inexistente: suposta correção no valor da aposentadoria, condicionada ao pagamento prévio de encargos administrativos.
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Consignado não autorizado: contratação fraudulenta de empréstimos mediante uso indevido de dados pessoais.
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Falso advogado: criminosos que se passam por profissionais ou escritórios conhecidos, utilizando fotos, nomes e logotipos para solicitar depósitos sob o pretexto de acelerar a liberação de valores judiciais.
A advogada Cecília Lopo Salvatore Barletta, também sócia da Parish & Zenandro, ressalta que a atenção aos dados cadastrais é fundamental. “O INSS não solicita senhas, imagens de documentos nem cobra qualquer valor para liberar benefícios ou créditos. Qualquer pedido nesse sentido deve ser encarado como fraude”, orienta.
Como se proteger dos golpes
Para especialistas, adotar uma postura cautelosa é essencial. Algumas medidas simples podem evitar danos financeiros sérios:
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Use apenas canais oficiais: Informações e solicitações devem ser feitas exclusivamente pelo aplicativo Meu INSS, pelo site oficial ou pelo telefone 135.
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Proteja seus dados: Nunca compartilhe códigos enviados por SMS, senhas ou documentos com desconhecidos.
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Confirme a identidade: Antes de realizar pagamentos ou firmar contratos com advogados ou escritórios, busque contato presencial ou por chamada de vídeo para verificar a legitimidade do profissional.
Informação como ferramenta de defesa
A disseminação de conhecimento previdenciário é apontada como uma das principais formas de enfrentamento desse tipo de crime. A advogada Paloma Barbosa, que atua diretamente no atendimento a segurados, destaca que orientação jurídica adequada e acolhimento são essenciais para reduzir a atuação dessas quadrilhas.
Caso o golpe já tenha ocorrido, a recomendação é registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência e comunicar tanto o INSS quanto a instituição financeira envolvida. “A informação protege. Quando o segurado entende como funciona o sistema previdenciário, fica menos vulnerável a falsas promessas e abordagens enganosas”, conclui Eddie Parish.




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