“Leva e traz” na Papuda: advogada fake é indiciada por organização criminosa

04:20 Blog do Adeildo Alves 0 Comentários



Denunciada por fazer parte do esquema de “leva e traz” na Papuda, Tatiane da Silva Alves Ferreira, 37 anos, se passava por advogada e ostentava uma vida de luxo nas redes sociais. A falsa advogada foi indiciada pela Polícia Federal (PF) por promoção de organização criminosa.

Bacharel em direito, Tatiane fez a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entrou com processo para mudança de nota, o que foi recusado pela Justiça. Apesar de não poder atuar como advogada, Tatiane se apresentava como tal e enganava clientes.

As investigações apontaram que Tatiane auxiliava na comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM) com Jackson Antônio de Jesus Costa, um dos líderes da organização criminosa que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF). Ele é responsável pela morte do policial federal Lucas Caribé, em 2023.

O relatório da Polícia Federal (PF) anexou registros de conversas e ligações de Tatiane com Erica Priscilla da Cruz Vitorino, advogada apontada como “gerente do tráfico” e namorada de Marlos Araújo Souza, conhecido como “Bolão”. Ele era líder da organização.

Relembre quem é Jackson, líder de facção

Líder do Bonde do Maluco (BDM), Jackson Antônio de Jesus Costa está no centro de um histórico de crimes que inclui tráfico de drogas e envolvimento na morte do policial federal Lucas Caribé, em setembro de 2023, durante uma operação policial em Salvador;

Conhecido como Caboclinho, Jackson Antônio é um dos principais alvos da Operação Cravante, desencadeada em outubro de 2024;

Após ser preso na Papuda, Jackson Antônio continuou a exercer influência no tráfico, coordenando as atividades do BDM;

Essa articulação permitiu que ele ampliasse a rede criminosa e conseguisse se comunicar com outros detentos, bem como gerenciar atividades ilícitas, mesmo atrás das grades.

A posição dele no mundo do crime se fortaleceu após integrar e auxiliar o Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro da penitenciária, com uso de conexões com advogados para manter o controle sobre as operações do tráfico.

Em 2024, a Operação cumpriu seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão, na capital do país e na Bahia

Informações repassadas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) mencionam indícios de que diversas pessoas teriam se passado por um advogado, com anuência dele, para se comunicar com detentos do sistema prisional do DF.

Em seu perfil no WhatsApp, Tatiane utilizava o nome de “Tatiane Adv Silva” para se passar como advogada para clientes.

Nas redes sociais, a falsa advogada se apresenta como pós-graduanda em direito penal dogmática moderna e diz ser “apaixonada por justiça”. A denunciada também aparece no Instagram ostentando roupas, bolsas e relógios de luxo.

Tatiane chegou a estar foragida da Justiça após mandado de prisão, mas o pedido foi revogado. O Metrópoles apurou que a falsa advogada é ex-esposa de um líder da facção Comboio do Cão (CDC).

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para falar sobre o exercício ilegal da profissão feito por Tatiane, mas não se pronunciou até a atualização mais recente desta matéria. Procurada pela reportagem, Tatiane não havia sido localizada até a última atualização deste texto.

Advogada “gerente do tráfico” liderava comunicação

Acusada de facilitar a comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM), a advogada Erica Priscilla da Cruz Vitorino é namorada de Marlos Araújo Souza, conhecido como “Bolão” e apontado como líder da mesma organização.

Ex-mulher de policial e advogada inscrita na OAB, Erica também tem passagens na polícia por crimes de tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo.

Ela foi indiciada pela Polícia Federal (PF) por facilitar a comunicação de membros da facção com Jackson Antônio de Jesus Costa, um dos líderes da organização criminosa que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF), e responsável pela morte do policial federal Lucas Caribé.

Em outubro de 2024, Erica foi presa em Serrinha (BA) por facilitar a comunicação entre os líderes da facção e os membros que estão soltos. O Metrópoles apurou que Erica não está mais presa na Bahia e responde por organização criminosa em liberdade.

Por meio de mensagens trocadas pelo WhatsApp, a advogada atuava como uma “gerente do tráfico” na Bahia, segundo a PF. Erica é apontada como responsável por promover o comércio ilegal de drogas e também vendas de armas. Ela utilizava o nome no perfil de “Deus de Israel” para tentar esconder a sua identidade.

Além de Erica e Tatiane, e o líder do Bonde do Maluco Jackson, outras sete pessoas respondem ao processo – entre as quais, advogados que facilitavam a comunicação.

Erica, quatro advogados e um estagiário de direito tiveram suspensos o direito de exercer a profissão de advogado.

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